
Você já ouviu falar que “moto de marca alternativa não aguenta viagem longa”? Eu decidi testar essa teoria da forma mais difícil. Peguei minha Dafra/SYM NH 190, ano 2023, que já ostenta mais de 75.000 km no painel, e parti em uma expedição de Cabo Frio (RJ), com uma pequena parada em Nova Iguaçu (RJ) rumo às montanhas de São Tomé das Letras (MG).
Neste artigo, vou abrir o jogo sobre o comportamento da moto, o consumo real na estrada, os problemas que surgiram e uma dica de ouro para economizar muito na troca de pneus. Se você está pensando em comprar uma NH 190 para viajar, este guia é para você.
1. O Preparo e o Primeiro Imprevisto: A Realidade da Estrada
Toda viagem de longa distância começa com uma revisão. A NH 190 é uma moto robusta, mas quilometragem alta exige atenção. Equipei a moto com:
Protetor de carenagem e motor (essencial para quedas bobas em terreno irregular).
Afastadores de alforges e baú de 45 litros.
Como ela ja tem arregador USB integrado, isso ja salva bastante.
O susto inicial: Mal saí de casa, com apenas 30 km rodados, a moto perdeu força. O diagnóstico? Achei que a Bomba de combustível estava ruim mas me deparei com a queima do estator. Chorei em R$500 conto, deu aquela desanimada mas entendi que por ser uma peça eletrônica em uma moto com 75 mil km, ela simplesmente parou e eu estava realmente sujeito a isso.
Dica de Ouro: Não entre em pânico com marcas fora do “eixo japonês”. Consegui o reparo na Top Motos em Cabo Frio, parcelei a peça e segui viagem. O segredo de viajar com marcas como a SYM é conhecer bons mecânicos e manter a manutenção preventiva em dia.
2. Desempenho e Consumo: Surpresa Positiva
Muitos me perguntam se 190 cilindradas são suficientes para a Rodovia Dutra. A resposta é: Mas não com muitas sobras em relação às 150cc.
Velocidade de cruzeiro: A moto mantém com facilidade entre 100 km/h e 110 km/h, mesmo carregada e com garupa. Em trechos planos, cheguei aos 125 km/h no máximo, mas o motor começa a vibrar mais nessa faixa, e como sou meio medroso, não quis forçar a moto ao extremo.
Consumo Real: O ponto mais forte. Mesmo forçando o motor nas subidas de Minas, a NH 190 entregou uma média de 35 km/l. Com seu tanque de 11 litros, você tem uma autonomia segura para planejar suas paradas sem estresse.
Torque: O motor de refrigeração líquida e 4 válvulas faz diferença nas ultrapassagens. Você não sente aquela “falta de fôlego” típica das motos menores quando precisa passar um caminhão em uma subida.
3. Como Economizar R$ 400,00 nos Pneus da NH 190
Se você é dono de uma NH 190, sabe que os pneus originais (100/90-19 e 130/80-17) podem ser caros e difíceis de achar em cidades pequenas. Durante a preparação, fiz um teste que deu muito certo:
Reduzi a medida: Instalei um pneu 120 na traseira e um 90 na dianteira.
Economia: O par saiu por R$ 400,00, enquanto os originais beiravam os R$ 1.000,00.
Comportamento: A moto ficou mais ágil nas trocas de direção e não senti perda de estabilidade, mesmo pegando chuva pesada e curvas fechadas na divisa entre Rio e Minas.
Mas na lama, os pneus mais largos me daria mais segurança.
4. O Teste de Fogo: Barro, Chuva e Serra

Em São Tomé das Letras, o desafio mudou. Enfrentei 50 km de estrada de terra batida e lama.
Suspensão: Copia bem as irregularidades, mas por ser uma moto um pouco pesada (cerca de 141 kg seca), exige atenção no barro.
Iluminação: O farol em LED é excelente para ver buracos de longe, mas lembre-se: o conjunto é fixo na carenagem. Em curvas de serra muito fechadas, você começa a curva “no escuro” até que a moto se alinhe.
Conforto do Garupa: Aqui vai um ponto de atenção. Para viagens curtas, é ótimo. Para 1.000 km, o pedal do garupa é muito alto, o que deixa as pernas do passageiro muito dobradas, gerando cansaço excessivo após 4 ou 5 horas de estrada. Mas para o piloto a capa Confort para o banco, que apesar de estar meio rasgadinha fez muita diferença.
Conclusão: A NH 190 Vale a Pena para Viagens?
Após rodar mais de 1.200 km em condições extremas, e a metade desse percurso foi debaixo de chuva forte, meu veredito é: Vale muito a pena. Ela oferece um pacote tecnológico (refrigeração líquida, 6 marchas, LED) que as concorrentes da mesma faixa de preço não entregam.
Os pontos negativos, como a rede de concessionárias menor e a ergonomia do garupa em longas distâncias, são superados pelo baixo custo de aquisição e pela valentia do motor SYM. Se você cuida da manutenção, ela vai a qualquer lugar.
( Abaixo a Parte 1 e 2 dos vídeo )
Ficha Técinica:
- Motor: Monocilíndrico, 4 tempos, 4 válvulas, 183 cm³, injeção eletrônica.
- Refrigeração: Líquida.
- Potência Máxima: 18 cv a 8.500 rpm.
- Torque Máximo: 1,60 kgf.m a 7.500 rpm.
- Transmissão: 6 velocidades.
- Freios: Disco nas duas rodas com sistema ABS de canal duplo.
- Suspensão Dianteira: Telescópica (127 mm – 140 mm de curso).
- Suspensão Traseira: Monoamortecida (90 mm – 145 mm de curso).
- Pneus: Dianteiro 110/70-17”, Traseiro 130/70-17” (Rodas de liga leve).
- Peso Seco: 140 kg.
- Tanque: 11 litros (2L reserva).
- Altura do Assento: 787 mm a 810 mm.
- Painel: Totalmente digital com entrada USB.
Principais Característica da Linha 2026:
- Melhoria de Segurança: Introdução de freios ABS em ambas as rodas (duplo canal).
- Performance: Motor com boa retomada, câmbio de 6 marchas que reduz rotação em rodovias, e consumo econômico (superior a 30 km/l).
- Versatilidade: Ciclística equilibrada para trânsito urbano e boa agilidade.



